A cadeira fora do lugar, risadas ecoando nas paredes que não são mais aquelas paredes, o som das nossas vozes se misturando e o tilintar das taças comemorando mais um ano novo. Um passeio pelo bairro, uma volta na pracinha, brincar de casinha e voltar á infância quando quiser, porque se estava nela. Desenhos animados, pintar o sete - todo rabiscado -, sorrir sem medo de ser feliz, porque se era. Preocupações (o que é isso?) sonhos (quando crescer serei isso, ou aquilo) e no final uma simples brincadeira onde voltávamos imundos para casa resolvia os pensamentos do futuro. Mistura de sentimentos. Nostalgia. Aflição. Medo. Ser feliz (o que é isso?), sonhos (guardamos para mais tarde), não voltamos mais imundos para casa porque já estamos imundos, imundos do mundo. Acredito que tudo seria mais fácil se parte do que éramos continuasse fazendo parte do que somos, acredito que a nossa essência não deveria se perder com o tempo. Nesse exato momento, nessa madrugada solitária - sim, solitária para mim que estou recordando o passado, que estou mexendo em feridas antigas, sonhos antigos, amizades antigas, amores antigos, uma vida antiga-, sinto-me uma bagunça entre o que eu era e o que me tornei, o que perdi de quem eu era e o que ganhei do que sou, um conflito entre quem sou eu e quem eu era, quem eu serei ou será que serei apenas quem sou? Filósofos questionam a vida, serei eu uma filosofa ou apenas alguém comum que tira o baú de fotografias antigas que a memória revelou e guardou no fundo para olhar sempre que a saudade bater? Ah, vida... As vezes sinto como se eu tivesse oitenta anos, sinto o peso do mundo nas minhas costas, e para ser sincera, sempre me senti assim, como se a minha alma não correspondesse á idade que eu tenho, e até onde isso é bom? Até onde é bom não ser compreendida? A madrugada recém começou, mas meu re(lembrar) sempre começa e nunca termina. A vida segue, o que foi bonito fica na memória, assim como o que não foi também, a vida é sempre para frente, mesmo que a bagagem se encontre lá atrás.

ameeeei esse post, consegui sentir exatamente o que você passou no texto.. me sinto assim quando penso no passado também =\
ResponderExcluirAhhhh o passado... grande post!
ResponderExcluiresse post me deixou pensando muito no passado, e gostei do final "A vida segue, o que foi bonito fica na memória, assim como o que não foi também, a vida é sempre para frente, mesmo que a bagagem se encontre lá atrás." tu sabe o que diz, Carol!
ResponderExcluirComecei a ler e a relembrar o passado, e lembrei que nos últimos dias ou melhor, nas últimas madrugadas me pego nessa nostalgia, fico pensando em tudo de bom e de ruim que já vivi, em todos que passaram em minha vida, em quem eu era, em quem em me tornei e em quem serei futuramente. Sonhava em ser uma coisa e hoje ando perdida em meus pensamentos sem saber o que realmente quero da vida... Você consegue prender a atenção do leitor e nos faz refletir, parabéns! Ah, e esse trecho se encaixou perfeitamente com o que venho vivendo a um certo tempo: "sinto-me uma bagunça entre o que eu era e o que me tornei, o que perdi de quem eu era e o que ganhei do que sou, um conflito entre quem sou eu e quem eu era, quem eu serei ou será que serei apenas quem sou?"
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