terça-feira, 30 de julho de 2013

Notas para não esquecer o que dizer quando der adeus à você


Memórias que o tempo não apagou. Rabiscos que eu não terminei. Flores que deixei murchar. Amigos que não visitei. Amores perderam-se desde então. Paixões que não foram reveladas. Cartas rasgadas em cima da mesa. Eu me despeço e peço para que o seu passado não me esqueça. Livros jogados no chão. Pedaços daquele verão. Papéis desenhados com aquarela. Céu aberto em mar revolto. Abraços que eu supliquei. A paz que você me roubou. Risadas que pareciam não acabar. Choros que não tinham fim. Madrugada volúvel aqui. Datas guardadas no bidê. Filmes que me lembravam você. A tevê que não para de passar comédias românticas pra me atormentar. O beijo que eu guardei. O toque das mãos que me fez tremer. A angústia que eu suspirei. A despedida que fui obrigada a fazer. A decepção de não conhecer mais você.

Adeus, memórias
Adeus, você.

A falta de romantismo me assusta


Á moda antiga: escrever cartas, recitar juras de amor, dizer absolutamente tudo com apenas um olhar, transparecer como você se sente com um toque na mão da outra pessoa. Beijos? Quase proibido. Talvez na bochecha, e olhe lá. Expectativa alta. Talvez um abraço rápido, mas que nesse segundo tudo se esclareça e pareça o que realmente é. Sexo? Só depois do casamento. O que vinha em primeiro lugar era sempre o sentimento, o simples ato de estar com aquela pessoa aonde quer que seja. Hoje em dia não há mais nada disso, quem é que escreve carta além do moço (ou moça) que está te cobrando conta de telefone, água, luz, dentre outros? Quem é que te faz juras de amor e te olha do modo mais profundo e revelador? Quem é que toca a sua mão, e você percebe a transparência do sentimento do outro? Beijos na bochecha? Extintos. Hoje se você não ficar com pelo menos uma pessoa que você talvez só veja uma vez na vida em uma festa, a festa não valerá a pena. Ou tem os que beijam mais de cinco bocas em uma noite, como se fosse te fazer uma pessoa melhor, pelo contrário, você não sabe o que é o amor. Sexo em qualquer idade, e foi-se o tempo dos casamentos, casar é para gente burra e que vive nos "tempos de outrora". Abraços? Não, são substituídos por vulgaridade e desilusões. Sentimento? Quase ninguém mais tem de verdade. E hoje, para um namoro ser válido, no mínimo o status do Facebook precisa ser alterado. Mudando um pouco a frase de Renato Russo: O que aconteceu com o amor, alguém me explica, por favor? Namoros não duram mais de alguns poucos meses, uma parcela querendo namorar no inverno e terminar no verão para mais tarde curtir o carnaval sozinho, cometendo o que chamam de "diversão" mas, para mim, não passa de um vazio gigantesco, uma vontade de ser livre, mas você quer liberdade maior do que ter um sentimento especial e único por alguém? Lamento, meu amigo, essa conversa fiada de "aproveitar a vida" não é comigo, não serve para os meus ouvidos, não consigo imaginar um jeito melhor de aproveitar a vida do que encontrar um grande amor, á moda antiga. Cartas trocadas, olhares apaixonados, um toque de mãos. As pessoas tem sido cada vez mais sozinhas e não percebem o que lhes falta de fato. A falta de romantismo hoje em dia me assusta.

domingo, 28 de julho de 2013

Amor e Inocência


Preciso falar e compartilhar sobre um filme que assisti hoje e mexeu muito comigo.
Vamos á sinopse:

"O filme tenta reproduzir a biografia da escritora Jane Austen, e retrata o suposto romance de Jane com Thomas Lefroy, um advogado que fora obrigado por seu tio a ir passar um tempo com seus parentes. Com má fama, Lefroy conquista Jane, e Jane o conquista com seu jeito diferente de ser e de pensar. Após uma tentativa de casamento, uma carta estraga todos os planos que Jane e Thomas tinham, e Jane aceita o pedido de casamento de um jovem. O romance teria inspirado a obra Orgulho e Preconceito o mais renomado romance da autora."

Além de contar com um elenco maravilhoso, como Anne Hathaway e James McAvoy, que deu vida á parte da história de Jane Austen, o filme chamou a minha atenção pelo fato de ser de uma data antiga, retratando os costumes e modos de antigamente, isso sempre despertou um interesse em mim. E quanto ao envolvimento de Jane com o Tom, é incrível, especialmente por eles serem tão diferentes. Ela, uma jovem escritora, cuja família está no declínio financeiro e precisam casá-la urgentemente, e ele, sobrinho de juiz, mas sem dinheiro também, e que só quer saber de mulheres, cuja reputação ficou comprometida. Entre tantos prós e contras, Jane e Tom se apaixonam, um amor cheio de dificuldades e obstáculos, onde eles estão dispostos a enfrentar, e onde, Jane decide abrir mão da sua felicidade com Tom por certos motivos. Um filme ótimo, um amor incrível - com trocas de olhares que revelam absolutamente tudo, assim como o toque das mãos de um para outro, mostrando um amor sincero e puro -, uma história com o final... Triste? Feliz? Digno? Inaceitável? Aí você escolhe. Se não assistiu esse filme, ou se pensa que não irá gostar por ser de época, acredite, ele é irresistível, e cada minuto vale a pena.

Trailer do filme para despertar mais o seu interesse:



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Passado


A cadeira fora do lugar, risadas ecoando nas paredes que não são mais aquelas paredes, o som das nossas vozes se misturando e o tilintar das taças comemorando mais um ano novo. Um passeio pelo bairro, uma volta na pracinha, brincar de casinha e voltar á infância quando quiser, porque se estava nela. Desenhos animados, pintar o sete - todo rabiscado -, sorrir sem medo de ser feliz, porque se era. Preocupações (o que é isso?) sonhos (quando crescer serei isso, ou aquilo) e no final uma simples brincadeira onde voltávamos imundos para casa resolvia os pensamentos do futuro. Mistura de sentimentos. Nostalgia. Aflição. Medo. Ser feliz (o que é isso?), sonhos (guardamos para mais tarde), não voltamos mais imundos para casa porque já estamos imundos, imundos do mundo. Acredito que tudo seria mais fácil se parte do que éramos continuasse fazendo parte do que somos, acredito que a nossa essência não deveria se perder com o tempo. Nesse exato momento, nessa madrugada solitária - sim, solitária para mim que estou recordando o passado, que estou mexendo em feridas antigas, sonhos antigos, amizades antigas, amores antigos, uma vida antiga-, sinto-me uma bagunça entre o que eu era e o que me tornei, o que perdi de quem eu era e o que ganhei do que sou, um conflito entre quem sou eu e quem eu era, quem eu serei ou será que serei apenas quem sou? Filósofos questionam a vida, serei eu uma filosofa ou apenas alguém comum que tira o baú de fotografias antigas que a memória revelou e guardou no fundo para olhar sempre que a saudade bater? Ah, vida... As vezes sinto como se eu tivesse oitenta anos, sinto o peso do mundo nas minhas costas, e para ser sincera, sempre me senti assim, como se a minha alma não correspondesse á idade que eu tenho, e até onde isso é bom? Até onde é bom não ser compreendida? A madrugada recém começou, mas meu re(lembrar) sempre começa e nunca termina. A vida segue, o que foi bonito fica na memória, assim como o que não foi também, a vida é sempre para frente, mesmo que a bagagem se encontre lá atrás.

Música de qualidade

Toni Ferreira. Se você ainda não ouviu falar nesse nome, pode ter certeza que ouvirá muitas vezes. Toni Ferreira é um cantor de 27 anos, desde a adolescência ele compõe e canta em bares paulistanos. Ele foi morar no Rio de Janeiro há alguns anos com a amiga Maria Gadú. Quando voltou para São Paulo, no ano passado, Toni recebeu um convite da Universal Music para gravar, e desde então empenhou-se e dedicou-se á seu disco que leva seu nome na capa. O disco traz uma sonoridade maravilhosa, são gravações um tanto minimalistas, que valorizam o bom vocal sem instrumentos em excesso. Na grande maioria das vezes ele é comparado com o Cazuza, basta escutar a voz dele e fechar os olhos que logo você imagina Cazuza cantando as músicas, mas não devemos esquecer que apesar dessa comparação ser uma honra, devemos valorizar o Toni como ele é, com a voz que ele tem e o talento que sempre teve, independente de quem ele lembra ou não. Se você ainda não o conhece, vou deixar alguns links onde ele canta, desfrute dessa voz maravilhosa e desse talento incrível, desejo muito sucesso á Toni Ferreira.




quinta-feira, 25 de julho de 2013

Decepções


Difícil tocar em uma ferida, imagine em várias ao mesmo tempo? Essa é uma das definições que eu tenho quando penso na palavra "decepção". Você passa muito tempo pensando só no que te feriu atualmente, mas depois vai recordando de todos que te magoaram de alguma forma, e vai acumulando pensamentos ruins, uma visão feia e desajeitada do mundo, uma forma diferente de encarar o outro, uma descrença nas pessoas ao seu redor e qualquer outra, uma falta de confiança que você nunca sentiu antes até o momento. É complicado recuperar-se de um golpe desses, especialmente das pessoas mais próximas que nos cercam, que convivem conosco, que sabem quais são os nossos segredos, as nossas fraquezas e os nossos problemas, e você faz o que um ser humano normal faria, deposita a sua fé e a sua confiança naquela pessoa, e sabe o que ela faz? Joga tudo pela janela. Cedo ou tarde ela te magoa, e eu entendo que não somos perfeitos, e seria até chato se fôssemos, mas o que me incomoda nisso tudo é o fato de que acham que um pedido de desculpas resolve tudo, e erram de novo, e pedem mais desculpas, e assim torna-se um ciclo vicioso, porque hoje em dia é muito fácil errar e desculpar-se, difícil mesmo é correr atrás, é demonstrar que se importa, é dar valor ás pessoas e mantê-las ao seu lado, quase ninguém mais tem essa coragem e audácia.
Sinto-me deslocada. Simplesmente não consigo ver qual é a dificuldade em você ser bom com as pessoas, evitar ao máximo mágoas e tristeza, é tão melhor fazer o outro sorrir do que deixar marcas e traumas na vida daquela pessoa, mas parece que na prática não funciona bem assim. Carregamos uma vida nas costas, e ao longo dela acumulamos inúmeras decepções, quando pensamos que já temos uma certa experiência no assunto, que nos fará mais espertos ao invés de cair em armadilhas, eis que a vida te prega outra peça e mostra que não existe idade para passar por esse tipo de situação. Não sei como lidar direito com esse tipo de coisa, é por isso que escrevo, preciso me livrar dessa angústia, preciso aceitar que o mundo não é um filme de comédia romântica ou uma comédia qualquer, preciso entender que as pessoas são assim, e cedo ou tarde elas vão me magoar, vão me decepcionar e vão deixar marcas e traumas em mim, e eu irei carregar eles futuramente ou tentar me livrar de algum jeito, eu preciso aceitar e entender tantas coisas, mas eu simplesmente não consigo, não entendo porque machucar alguém parece ser mais fácil do que fazer o bem.


terça-feira, 23 de julho de 2013

O mundo precisa de...

Amor. Confiança. Paz. Sinceridade. Honestidade. Amizade. Abraços. O mundo precisa de uma série de coisas, mas não devemos nos assustar sem saber por onde começar, basta começar dentro da nossa casa, ao redor dos nossos amigos, espalhando amor e carinho. Eu sempre fui o tipo de pessoa que acreditava fielmente no que as outras pessoas me diziam, porque se eu sou sincera, o mínimo que eu espero do próximo é que seja sincero comigo também, mas aí eu cresci e vi que as coisas não funcionam bem assim... Acho que o problema principal é que todo mundo reclama do mundo, mas a maioria não faz nada para mudar. Eu estou reclamando, mas estou fazendo a minha parte, apesar de ultimamente ter tomado vários choques de realidade, eu continuo com uma coisa chamada esperança, quem sabe um dia não dá certo? Metade de mim continua com essa inocência e essa ingenuidade que eu quero levar pro resto da vida, mas a outra metade não consegue acreditar em mais uma palavra sequer que sai da boca de qualquer pessoa, e isso inclui meus amigos e parte da minha família, é tão triste! Detesto sentir que não posso contar com ninguém, detesto sentir quando alguém está sendo falso comigo, mentindo pra mim, quebrando aos poucos toda a inocência e ingenuidade que eu tenho e gosto de ter. Já tive a famosa vontade de mudar o mundo quando mais nova, quem não teve que atire a primeira pedra, mas aos poucos a gente vai percebendo que tampouco pode mudar o mundo que nos cerca, quanto mais o que está tão longe de nós, mas nem por isso devemos desanimar, mudanças acontecem aos poucos, um dia quem sabe possamos chegar lá...